A bandeira monárquica colocada na Câmara Municipal de Lisboa pelo 31 de armada foi em primeiro lugar um gesto de bom humor, serviu para agitar a silly season e para levantar a discussão sobre o regime em que vivemos. Este simples gesto de irreverência fez mais pela causa monárquica nos útlimos de 10 anos, do que a panóplia de associações monárquicas que por aí existem - e digamos em abono da verdade, que na sua esmagadora maioria mais não são do que clubes privados de organização de festas à antiga.
Os monárquicos sempre foram vistos como os meninos queques, a maltinha da catequese, as raparigas bonitas do verão de S. Martinho do Porto, os Srs. de bigode retorcido das praças de touros e os fadistas boémios perdidos de madrugada nas ruas de Alfama. Com este gesto o 31 da armada conseguiu apagar um pouco desta imagem - afinal há monárquicos com boa disposição, afinal há monárquicos jovens, afinal a monarquia é uma forma de activismo político, em que jovens até assaltam a varanda da Câmara Municipal de Lisboa para hastearem uma bandeira. O 31 da armada pôs os cafés do país a discutirem o regime, ninguém tenha dúvida que a maioria dos portugueses ficaram a saber das comemorações do centenário da república à custa de um blog.
Quanto às questões legais, acho que o Manuel Salgado fez figura de parvo - desculpem a expressão mas não arranjei nenhum palavra melhor para adjectivar as declarações que saíram hoje no Público. O António Costa, esse teve sorte - estava de férias. Espero que os portugueses aproveitem estes 100 anos de república para debaterem o regime e espero que o 31 da armada nos continue a lembrar que existem monárquicos e que, como dizia o Miguel Esteves Cardoso, "são o maior partido clandestino em Portugal".