"Depois, como qualquer pessoa, sei quem são os inimigos daquilo em que acredito, daquilo por que me bato. Isso não me chega para votar cegamente em quem se apresente contra esses cidadãos. Porque quem se apresente assim, se não for digno da minha adesão convicta, não tem o meu voto. Não sei fechar os olhos, como recomendava Cunhal, e pôr uma cruz no mal menor. E não sei fazer isso por uma razão simples: o meu voto é isso mesmo: meu. Custou a muita gente conquistar essa coisa de me dirigir a uma urna e votar com convicção, de forma pessoal e intransmissível, em quem ou em que Partido entender. Não concebo o voto, o meu voto, funcionalizado a uma estratégia, desligado de qualquer emocionalidade, cego a convicções políticas e ideológicas. Não vendo, não trespasso e não prostituo o meu voto. É assim mesmo: é meu. Não voto útil, portanto, ninguém escraviza o meu voto, pois ainda hoje me ecoa a frase que ouvi quando era pequena e que decidi manter pela vida fora, concretamente nestes momentos de escolha: o voto útil só é útil para quem o recebe. Não votarei em Manuel Alegre."
Isabel Moreira, no Jugular.
