23.4.10

Por causa do 20º aniversário do jornal, no Público.pt com Gonçalo M. Tavares.

link do postPor João Gomes de Almeida, às 15:22  comentar

8.4.10

porque saltam e caem tanto, as crianças?

voltamos sempre ao mesmo tema.

como são ingénuas e admiráveis

os temas recorrentes não ilustram versos

talvez se o mundo fosse delas fossemos mais coloridos

a maternidade fere a poesia. ventre fértil, poema inútil

a maneira feliz como riem, mesmo que sem dentes

dizermos que não é um sim precipitado

mas são porcas, sujam tudo e não querem saber

mas o quê? deves pensar que um bebé se alimenta a whiskey

os olhos apenas têm formas, como tudo

preferes fazer amor na minha cama ou na tua?

 

João Gomes de Almeida e Inês Leão

link do postPor Inês Leão, às 01:37  comentar

nunca sei bem o que pensar de um careca.

os artistas acabaram com deus

queria ser mais poeta e menos romancista

e a inveja que tenho eu das pessoas que fazem bem várias coisas

não exageres. é um tipo normal. também lê os meus livros.

é difícil escrever-se bonito sobre coisas feias, mas tu

eu sou gordo, ele é careca. qual a diferença?

molhas as palavras e estende-las ao sol do norte

o gajo ouve heavy metal. imaginas o pessoa a ouvir sepultura?

como se toda a gente falasse só com pontos finais

vai morrer novo. bebe muito.

e gosto de ti, ainda que digas que portugal tem pulgas.

aposto que o nuno miguel guedes gosta mais de mim. escreve no meu blogue.

simples, como o que descreves.

 

João Gomes de Almeida e Inês Leão

link do postPor Inês Leão, às 01:31  comentar

os teus lábios cospem a imortalidade das sílabas

uma vez hei-de te dizer

mas e as sílabas? os versos? as quadras?

e quando provares a gota da chuva que já foi neve

as minhas mãos contam as histórias das tuas

num só passo andar pelo mundo

as palavras nunca significaram nada para ti. sou uma natureza morta

ela ri apenas com um olhar, mas mesmo assim

podes dizer o que quiseres. não acreditas na poesia

como começámos aqui estamos.

a morte, o que interessa é a morte, vamos morrer - no amor da poesia

 

Inês Leão e João Gomes de Almeida

link do postPor Inês Leão, às 01:13  comentar

24.2.10

 

"PELA JANELA ENTRA o rumor do mar misturado com os risos dos últimos noctívagos, um barulho que talvez seja o dos empregados a levantar as mesas da esplanada, de vez em quando um carro que circula com lentidão pelo Passeio Marítimo e zumbidos abafados e inidentificáveis que provêm dos outros quartos do hotel. Ingeborg dorme; o seu rosto parece o de um anjo a quem nada perturba o sono; em cima da mesinha-de-cabeceira há um copo de leite que ela nem provou e que ainda deve estar quente, e ao pé da sua almofada, meio coberto pelo lençol, um livro do detective Florian Linden, do qual apenas leu umas duas páginas antes de tombar adormecida. A mim acontece-me exactamente o contrário: o calor e o cansaço tiram-me o sono. Geralmente durmo bem, entre sete e oito horas diárias, embora seja raríssimo deitar-me cansado. De manhã acordo fresco que nem uma alface e com uma energia que não diminui ao fim de oito ou dez horas de actividade.  Que eu me lembre, foi sempre assim; faz parte da minha natureza. Ninguém mo inculcou, simplesmente sou assim e com isso não quero sugerir que seja melhor ou pior do que outros; a própria Ingeborg, por exemplo, que aos sábados e domingos só se levanta depois do meio-dia e durante a semana só uma segunda chávena de café – e um cigarro – consegue acordá-la totalmente e empurrá-la para o trabalho. Esta noite, porém, o cansaço e o calor tiram-me o sono. Também, a vontade de escrever, de registar os acontecimentos do dia, me impede de me meter na cama e apagar a luz."

 

Pré-publicação do III Reich na Nicotina Magazine

link do postPor João Gomes de Almeida, às 16:00  comentar

 

Carregue na imagem para ver em grande.

Lançamento de livro duplo.

De um lado: "30 poemas de amor escolhidos" e prefaciados por João Villalobos.
Do outro lado: "Manifestro Contra a Racionalidade" de João Gomes de Almeida.

Domingo, dia 14 de Fevereiro pelas 21h30

 
Apresentações a cargo de Fernando Alvim e Rui Zink

bar & livraria "Les Enfants Terribles" nos Cinemas das Galerias Saldanha Residence - Lisboa

Não falte!
link do postPor João Gomes de Almeida, às 02:57  comentar

Acabei de apagar os dois textos de carácter mais ofensivo que escrevi sobre as criticas que fui alvo por parte da livraria trama e de outros blogues anónimos, por causa de ter criado a Nicotina. Desde já as minhas desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas os incomodadas pelos mesmos. Não foi essa a minha intenção.

Quanto à Nicotina Magazine e à Nicotina Editores os dois projectos vão continuar ao mesmo ritmo. Espero que gostem e que lancem ideias e criticas construtivas.

Não se pode agradar a toda a gente. Infelizmente há quem à partida tente destruir projectos com valor cultural.

link do postPor João Gomes de Almeida, às 02:10  comentar

4.2.10

 

Em Portugal sempre foi assim. Quando alguém faz algo pela cultura no sector privado é atacado pelos que já estão no sector. Decorrido algum tempo, se o projecto vencer é porque não tem qualidade cultural e intelectual, se o projecto fracassar é sinal que esses velhos do Restelo tinham razão - foi assim na Byblos, foi assim nas Quasi e foi assim em tantos outros projectos.

 

Existem pessoas que se acham donos da cultura e do bom gosto. Nós só podemos ler aquilo que eles vendem e promovem, só podemos comprar certas editoras e se existem projectos culturais que dão lucro é porque são maus.

 

Quem tem gosto vai à Trama e lê a Fenda, quem tem mau gosto vai à Bertrand e lê a Guerra & Paz. Para estes senhores o mundo editorial e livreiro português resume-se assim. O factor gosto só lhes serve para eles, o que é bom é o que eles gostam - o que é mau é tudo o resto. Se é algo novo ainda pior, é uma ameaça - logo é mau.

 

Felizmente a imprensa, a blogosfera na sua grande maioria e as editoras têm felicitado a equipa da Nicotina pelo trabalho conseguido. Apontando quanto muito algumas coisas que alteravam, ou que gostam menos. Sempre com elevação.

 

O que a livraria Trama fez foi mau gosto, foram criticas baratas e com pouco nível - conteúdo este que me parece desapropriado para o site oficial de uma livraria. Muito provavelmente não vão conseguir encontrar lá os meus livros, muito bem assim seja, outros sítios haverá onde existirão livreiros que não querem obrigar os clientes a lerem apenas aquilo que acham bom.

 

Por fim, e mais não vou dizer sobre essas críticas, deixo ficar a minha tristeza pelo sucedido. Numa altura de crise para editores, livreiros e para o sector cultural em geral, acho que deviamos estar todos unidos ou pelo menos haver algum respeito.

link do postPor João Gomes de Almeida, às 22:44  comentar

 

Uma aula de poesia é sempre uma aula de poesia – e em Portugal infelizmente não há aulas de poesia. Ao que se diz, e parece que é mesmo verdade, somos o país da Europa com mais editoras, que mais livros por dia publica e dos que menos se lê também. No fundo, mais não somos do que uma grande contradição literária plantada na zona mais ocidental do velho continente, cada vez mais longe de uma Europa central culta e evoluída.

 

Mas ao menos ainda somos um país de poetas, de bons poetas. Que o diga o Eduardo Pitta que lançou recentemente pela Quetzal o seu «Aula de Poesia», uma colectânea de textos publicados nos últimos anos na revista Ler, entre outros órgãos de comunicação social.

 

Na minha opinião o leitor português não gosta de livros de poesia, gosta de antologias de poesia. Nós chegamos à livraria e não vamos comprar os dois pequenos livros de poesia do Peixoto, preferimos antes comprar uma antologia qualquer onde ele apareça, mesmo que gostemos dos poemas do Peixoto. Mas o que explica esta atitude?

 

Nunca fomos educados para gostar de poesia. Achamos lamechas, um tanto ou quanto parolo e acima de tudo antiquado. Mas gostamos de livros e numa boa biblioteca não pode faltar a poesia, portanto recorremos às antologias. Algo contra? Nem por isso, eu também gosto de antologias e acho que deviam ser feitas ainda mais.

 

Mas gostava também de viver num país que honra os seus poetas, que os estuda e que os ensina. Gostava de viver num país em que a poesia vende-se o que vendem os romances. Um país evoluído não pode viver de leitores brutamontes e pouco civilizados, para quem a poesia não é literatura. É caso para dizer que cada país tem os leitores que merece.

 

Na poesia os nossos leitores não merecem os autores que têm. É triste, mas é verdade. Houvesse mais gente a estudar e a divulgar as obras poéticas – houvessem mais Eduardo Pitta – e talvez o nosso panorama literário fosse um pouco menos nubloso.

 

Primeiro Editorial do Nicotina

link do postPor João Gomes de Almeida, às 19:07  ver comentários (1) comentar

2.2.10

 

Notícia aqui.

link do postPor João Gomes de Almeida, às 17:27  comentar

Nicotina Magazine

 

Descubram tudo aqui - no blogue Nicotina Editores.

link do postPor João Gomes de Almeida, às 15:59  comentar

 

Podem ver a entrevista completa aqui

 

«Não acredito que os prémios, as traduções e outros êxitos devam ser as razões para a escrita. São alegrias que, quando se coadunam uma série de factores, podem acontecer ou não, depois da publicação. Assim sendo, creio que me falta fazer bastante. Um dos principais elementos que me leva a escrever é a vontade de dizer. Esse entusiasmo nasce de ideias de ideias concretas que tento traduzir através da linguagem. Desse modo, aquilo que motiva é cada uma dessas ideias, desses ideais. Com o passar do tempo e com o trabalho específico de cada livro, vão variando. Aquilo que espero é que continue a encontrar essas razões para escrever. Nesse aspecto, creio-me optimista, uma vez que o mundo é imenso de motivos e apaixono-me com facilidade.» José Luís Peixoto

 

Nicotina Magazine

link do postPor João Gomes de Almeida, às 15:54  comentar


Ana Anes

Ana Anes nasceu em Lisboa a 2 de Abril de 1973, com o cordão umbilical bem preso no pescoço. Pode-se dizer que é uma sobrevivente (alegre) e, como tal, decidiu festejar a vida com um carácter irreverente, livre de constrangimentos e da opinião alheia, com uma faceta “bombista-literária” em que não se levando a sério - porque a vida já é demasiado pesada por si mesma...
Tem dois livros publicados, e já escreveu em vários órgãos de imprensa, como O Independente, Destak, DNA, Maxmen, Correio da Manhã e Playboy. Os seus blogues já deram muito que falar.
Ana Santiago

Primeiro queria ser médica de autópsias, depois teve a mania de ser jornalista e apaixonou-se pela rádio, acabou por dedicar-se ao serviço público e vive uma relação passional com Lisboa, como sede no poder local, onde editou a Agenda Cultural.
Licenciada em Comunicação, resignou-se ao facto de pouco mais saber fazer na vida do que comunicar, de manhã à noite, com toda a gente e, se mais ninguém houver por perto, com ela mesma. Acredita que é com o coração.
Cátia Simão

Foi em véspera de uma Sexta-Feira 13 de Setembro que sua mãe conheceu o rosto enrugado e percebeu que não era o David (sobre o qual) tanto conversara durante 9 meses. Daí para a frente foi muitos nomes a até se assentar como Cátia. Cresceu pensando que iria ser modista, mas não tinha muito jeito para fazer costuras e braguilhas. Virou-se para a arqueologia e seguiu outro caminho, a música, os filmes e a rádio. Seguiu-se dos seus amores de garota. Ainda hoje procura as agulhas do seu giradiscos portátil na bainha de um vestido rosa da moda. É muito feliz e gosta de sorrir.
Cláudia Köver

Tem os ensinamentos anglo-saxónicos cravados nas sardas e o amor às artes nas pontas dos dedos. O gosto pela manta das Relações Internacionais, adquirido pelos retalhos da herança familiar, consome-se nas almofadas do mestrado. Seguiu um coelho branco e calçou os saltos de jornalista EM que de momento lhe assentam os pés. Deixou pequenas pegadas nas páginas da “Pública”, da revista “Nós” do Jornal i, do Jornal Briefing e da televisão Arte. Incapaz de se manter fiel ao amor por um só par de sapatos, fez cursos em instituições europeias e teve aulas de representação em palco poeirento. Infelizmente, não teve dom para fazer dinheiro como viajante, mas soma este aos restantes vícios: desde a última tarde de 86 que não se inibe de sorrir e sonhar.
Inês Leão

Registada na bela freguesia de Mem Martins, Inês teve uma infância feliz, até ao dia que teve de abandonar o ballet por ter as pernas tortas (erro que nunca foi corrigido pelas botas ortopédicas ora azuis ora castanhas, que usou até tarde). Sempre gostou muito de desenhar, tendo como maiores influências os filmes clássicos da Disney, a Barbie e o seu pai. Quando teve de escolher a sua área optou por artes, por não ter matemática, não fazendo ideia que teria de gramar com geometria descritiva. É recém-chegada no design e o seu sonho é ser uma designer de sucesso, trabalhando a partir do seu iate privado na marina da Costa Nova, na Ria de Aveiro.
João Gomes de Almeida

Divide o tempo entre a editora e revista on-line Nicotina, o Perguntas Proibidas na Rádio Europa e o seu pequeno bar / livraria Les Enfants Terribles, no Saldanha Residence. Já lançou dois livros, quer casar e ter filhos.
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Nuno Miguel Guedes

Nuno Miguel Guedes nasceu em Lisboa em 1964. Jornalista, esteve no inicio de O Independente, de onde saiu em 1990 para a revista Kapa, de que foi co-fundador e co-afundador. Escreve para várias publicações e é colaborador pemanente da revista Visão (cultura) Letrista sempre que o deixam, guionista de televisão, bloguista, DJ ocasional, anglófilo, fanático da Académica e de livros. Nos tempos livres pratica o dry martini.
Pedro Rainho

Nasceu no iníco da década de 60, na vila de Sintra. Filho de família aristocrata, cedo forçou-se a desiludi-la. Aos 14 anos já estava ilegalmente no MRPP, onde foi companheiro de luta académica de Durão Barroso, na Faculdade de Direito. Mal acabou o curso viu nascer Abril e ingressou no jornalismo. Tornou-se barbudo e descobriu o fado, a monarquia e os touros. Por esses quatro motivos entrou com o Nuno Miguel Guedes no PPM e dedicou-se ao jornalismo como paquete de Paulo Portas e Miguel Esteves Cardoso n'O Independente. Escreveu três ensaios sobre literatura russa medieval, traduzidos em mandarím e tchecheno. Deu aulas na Independente e consumiu marijuana com o comandante Zapata, durante uma fotoreportagem. Tudo isto é mentira - mas bem que podia ser verdade, não tivesse ele nascido na década de oitenta e ser um jovem jornalista precário. É o que dá ser novo.
Tomás Vasques

Advogado de profissão, não se deixou enclausurar em códigos e barras. Arrumado na prateleira da esquerda pela natureza das coisas, desenvolveu na juventude – ainda as mil águas de Abril não tinham chegado – gostos exóticos, onde se incluíam chineses, albaneses e charros alimados. Navegou por vários territórios: da pintura à América Latina, da escrita à actividade política. Gosta de rir, de cozinhar, de Roberto Bolaño, de amigos, cerveja e peixe fresco. Irrita-se com a intolerância e o autoritarismo. É agnóstico. Apesar da idade, ainda não perdeu o medo do escuro, do sobrenatural e das ditaduras.