29.12.08

 

Embora ainda não seja suficientemente conhecido do grande público português, o escritor Gonçalo M. Tavares, vencedor de vários prémios literários em Portugal, tais como o Prémio Saramago em 2005, o Prémio Revelação da Associação Portuguesa de Escritores para a categoria de Poesia e o Grande Prémio de Conto também da APE, é já um fenómeno de vendas no estrangeiro. Neste momento, Gonçalo M. Tavares, de 38 anos, tem quinze livros já traduzidos em onze línguas diferentes, um pouco por todo o mundo. As suas obras já deram origem a várias encenações de teatro, óperas, objectos de arte plástica e a sua escrita é já tema de teses académicas em Portugal, Brasil e Itália.

Os jornais estrangeiros não têm poupado elogios ao jovem talento português, a jornalista Elisabeth Barillé, no reputado jornal francês Le Figaro, considera Gonçalo M. Tavares “um Kafka português”  e questiona-se se o autor se vai tornar “um produto de exportação de Portugal como o vinho do Porto e a saudade”. No jornal El País, na vizinha Espanha, pode-se ler que “Tavares triunfará, isso é algo que se vê já a chegar”, na reputada Magazine Littéraire Vilas-Matas também não lhe poupou elogios dizendo que se trata de “um escritor que não vai continuar muito mais tempo despercebido nessa Europa”.

Os maiores elogios vêm do prémio Nobel português José Saramago, que comentou desta forma um dos seus romances: “'Jerusalém' é um grande livro, que pertence à grande literatura ocidental. Gonçalo M. Tavares não tem o direito de escrever tão bem apenas aos 35 anos: dá vontade de lhe bater!". No Brasil, a sua obra também não passa indiferente, exemplo disso é o comentário do poeta Fabricio Carpinejar ao seu livro Klaus Klump que classificou como um “livro terrível, como deve ser a literatura fantasma de nossa época. Livro que não escreve como se fala, mas como se pensa. Ainda estou sob seus efeitos colaterais e tenho medo de fugir de toda ordem doméstica”. Para muitos, Gonçalo M. Tavares, juntamente com Lobo Antunes e José Saramago, é já um dos maiores génios literários portugueses vivos.

E em Portugal? Ao visitarmos alguns dos principais tops das livrarias portuguesas, após as compras de Natal, verificamos que nenhum dos seus livros se encontra nos mesmos. Exemplo disso é a rede livreira Bertrand, onde no top 10 constam autores portugueses como Daniel Sampaio, Margarida Rebelo Pinto e Nuno Lobo Antunes, para além dos já comuns José Saramago e José Rodrigues dos Santos. O mesmo cenário repete-se por exemplo na “Bulhosa”, onde constam nomes como o Professor Adriano Moreira e António Lobo Antunes com o seu recente romance “Arquipélago da Insónia”.  Já no top da Fnac repetem-se os nomes da Bertrand, com excepção de Miguel Sousa Tavares, que consegue um modesto décimo lugar com a reedição do Equador em “Edição Especial”.

Será que Gonçalo M. Tavares nos vai pôr a pensar sobre os tops literários portugueses? Compramos muitos livros, mas será que os sabemos escolher? Ficam as questões.

link do postPor João Gomes de Almeida, às 04:11  comentar

De Paulo Ferreira a 1 de Janeiro de 2009 às 19:11
E um link para o CC onde postaste este texto também?
era porreiramente porreiro.....Abc

Ana Anes

Ana Anes nasceu em Lisboa a 2 de Abril de 1973, com o cordão umbilical bem preso no pescoço. Pode-se dizer que é uma sobrevivente (alegre) e, como tal, decidiu festejar a vida com um carácter irreverente, livre de constrangimentos e da opinião alheia, com uma faceta “bombista-literária” em que não se levando a sério - porque a vida já é demasiado pesada por si mesma...
Tem dois livros publicados, e já escreveu em vários órgãos de imprensa, como O Independente, Destak, DNA, Maxmen, Correio da Manhã e Playboy. Os seus blogues já deram muito que falar.
Ana Santiago

Primeiro queria ser médica de autópsias, depois teve a mania de ser jornalista e apaixonou-se pela rádio, acabou por dedicar-se ao serviço público e vive uma relação passional com Lisboa, como sede no poder local, onde editou a Agenda Cultural.
Licenciada em Comunicação, resignou-se ao facto de pouco mais saber fazer na vida do que comunicar, de manhã à noite, com toda a gente e, se mais ninguém houver por perto, com ela mesma. Acredita que é com o coração.
Cátia Simão

Foi em véspera de uma Sexta-Feira 13 de Setembro que sua mãe conheceu o rosto enrugado e percebeu que não era o David (sobre o qual) tanto conversara durante 9 meses. Daí para a frente foi muitos nomes a até se assentar como Cátia. Cresceu pensando que iria ser modista, mas não tinha muito jeito para fazer costuras e braguilhas. Virou-se para a arqueologia e seguiu outro caminho, a música, os filmes e a rádio. Seguiu-se dos seus amores de garota. Ainda hoje procura as agulhas do seu giradiscos portátil na bainha de um vestido rosa da moda. É muito feliz e gosta de sorrir.
Cláudia Köver

Tem os ensinamentos anglo-saxónicos cravados nas sardas e o amor às artes nas pontas dos dedos. O gosto pela manta das Relações Internacionais, adquirido pelos retalhos da herança familiar, consome-se nas almofadas do mestrado. Seguiu um coelho branco e calçou os saltos de jornalista EM que de momento lhe assentam os pés. Deixou pequenas pegadas nas páginas da “Pública”, da revista “Nós” do Jornal i, do Jornal Briefing e da televisão Arte. Incapaz de se manter fiel ao amor por um só par de sapatos, fez cursos em instituições europeias e teve aulas de representação em palco poeirento. Infelizmente, não teve dom para fazer dinheiro como viajante, mas soma este aos restantes vícios: desde a última tarde de 86 que não se inibe de sorrir e sonhar.
Inês Leão

Registada na bela freguesia de Mem Martins, Inês teve uma infância feliz, até ao dia que teve de abandonar o ballet por ter as pernas tortas (erro que nunca foi corrigido pelas botas ortopédicas ora azuis ora castanhas, que usou até tarde). Sempre gostou muito de desenhar, tendo como maiores influências os filmes clássicos da Disney, a Barbie e o seu pai. Quando teve de escolher a sua área optou por artes, por não ter matemática, não fazendo ideia que teria de gramar com geometria descritiva. É recém-chegada no design e o seu sonho é ser uma designer de sucesso, trabalhando a partir do seu iate privado na marina da Costa Nova, na Ria de Aveiro.
João Gomes de Almeida

Divide o tempo entre a editora e revista on-line Nicotina, o Perguntas Proibidas na Rádio Europa e o seu pequeno bar / livraria Les Enfants Terribles, no Saldanha Residence. Já lançou dois livros, quer casar e ter filhos.
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Nuno Miguel Guedes nasceu em Lisboa em 1964. Jornalista, esteve no inicio de O Independente, de onde saiu em 1990 para a revista Kapa, de que foi co-fundador e co-afundador. Escreve para várias publicações e é colaborador pemanente da revista Visão (cultura) Letrista sempre que o deixam, guionista de televisão, bloguista, DJ ocasional, anglófilo, fanático da Académica e de livros. Nos tempos livres pratica o dry martini.
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