6.2.09

Depois da discussão quase que interminável com o Tiago Moreira Ramalho, sobre as vantagens da Monarquia em relação à república, vejo-me obrigado a concordar com ele no que ao Partido Socialista diz respeito e em parte também com as declarações do Edmundo Pedro que cita.

 

Antes de mais nada, e para que este post não seja alvo de más interpretações, devo fazer uma declaração de interesses: sou neste momento um militante do PS envergonhado, que não se reconhece em José Sócrates e no seu governo, que se tem vindo a afastar do partido e que há uns meses para cá, por motivações profissionais e pessoais, se afastou da vida partidária activa. Até essa época fui fazendo umas coisas, facto do qual não me arrependo.

 

Conhecendo a realidade, primeiro como militante e agora como jornalista, sinto-me na posse de alguns elementos que podem ajudar a descrever o actual estado de apatia democrática que se vive no PS. Os mais desatentos podem culpar a falta de diálogo, o clima de medo que o Edmundo Pedro fala, a forte e autoritária liderança de José Sócrates - tudo isto é verdade, mas nenhum destes é o dado mais importante para reflexão. O Partido Socialista, tal como o PSD, chegaram a um ponto em que já não existem nos seus quadros massa critica.

 

Os quadros dirigentes dos partidos de poder são neste momento saloios, têm mau gosto e sofrem de um atraso cultural que não é perdoável. As elites culturais fugiram da política. Por isso hoje, o PS não tem nenhum quadro dirigente com a qualidade intelectual e o nível cultural de um Mário Soares, Fernando Valle ou Sottomayor Cardia, tal como o PSD não tem nenhum quadro dirigente que se assemelhe a um Francisco Sá Carneiro e o CDS também não tem um único dirigente comparável a Adriano Moreira, Francisco Lucas Pires ou Adelino Amaro da Costa. Repito, as elites culturais fugiram da política - provavelmente os nomes citados foram os últimos exemplos.

 

O aparelhismo militante tomou de assalto o Rato, o discurso fácil e de pouca substância invadiu todas as estruturas do PS e os exemplos de chico-espertice de José Sócrates servem hoje de mote às teorias dos esquemas, sindicatos de votos e outras brincadeiras dos aspirantes a políticos socialistas. Urge o regresso da política de combate, de ideias, de acção - feita pelas elites culturais, que têm sido banidas do PS.

link do postPor João Gomes de Almeida, às 03:29  comentar

De Tiago Moreira Ramalho a 6 de Fevereiro de 2009 às 11:47
Ora João Gomes, lá porque discordamos numa matéria, não temos de discordar em todas. Excelente texto.

Cumprimentos

De João Gomes de Almeida a 6 de Fevereiro de 2009 às 18:13
O meu obrigado.

Um abraço

Ana Anes

Ana Anes nasceu em Lisboa a 2 de Abril de 1973, com o cordão umbilical bem preso no pescoço. Pode-se dizer que é uma sobrevivente (alegre) e, como tal, decidiu festejar a vida com um carácter irreverente, livre de constrangimentos e da opinião alheia, com uma faceta “bombista-literária” em que não se levando a sério - porque a vida já é demasiado pesada por si mesma...
Tem dois livros publicados, e já escreveu em vários órgãos de imprensa, como O Independente, Destak, DNA, Maxmen, Correio da Manhã e Playboy. Os seus blogues já deram muito que falar.
Ana Santiago

Primeiro queria ser médica de autópsias, depois teve a mania de ser jornalista e apaixonou-se pela rádio, acabou por dedicar-se ao serviço público e vive uma relação passional com Lisboa, como sede no poder local, onde editou a Agenda Cultural.
Licenciada em Comunicação, resignou-se ao facto de pouco mais saber fazer na vida do que comunicar, de manhã à noite, com toda a gente e, se mais ninguém houver por perto, com ela mesma. Acredita que é com o coração.
Cátia Simão

Foi em véspera de uma Sexta-Feira 13 de Setembro que sua mãe conheceu o rosto enrugado e percebeu que não era o David (sobre o qual) tanto conversara durante 9 meses. Daí para a frente foi muitos nomes a até se assentar como Cátia. Cresceu pensando que iria ser modista, mas não tinha muito jeito para fazer costuras e braguilhas. Virou-se para a arqueologia e seguiu outro caminho, a música, os filmes e a rádio. Seguiu-se dos seus amores de garota. Ainda hoje procura as agulhas do seu giradiscos portátil na bainha de um vestido rosa da moda. É muito feliz e gosta de sorrir.
Cláudia Köver

Tem os ensinamentos anglo-saxónicos cravados nas sardas e o amor às artes nas pontas dos dedos. O gosto pela manta das Relações Internacionais, adquirido pelos retalhos da herança familiar, consome-se nas almofadas do mestrado. Seguiu um coelho branco e calçou os saltos de jornalista EM que de momento lhe assentam os pés. Deixou pequenas pegadas nas páginas da “Pública”, da revista “Nós” do Jornal i, do Jornal Briefing e da televisão Arte. Incapaz de se manter fiel ao amor por um só par de sapatos, fez cursos em instituições europeias e teve aulas de representação em palco poeirento. Infelizmente, não teve dom para fazer dinheiro como viajante, mas soma este aos restantes vícios: desde a última tarde de 86 que não se inibe de sorrir e sonhar.
Inês Leão

Registada na bela freguesia de Mem Martins, Inês teve uma infância feliz, até ao dia que teve de abandonar o ballet por ter as pernas tortas (erro que nunca foi corrigido pelas botas ortopédicas ora azuis ora castanhas, que usou até tarde). Sempre gostou muito de desenhar, tendo como maiores influências os filmes clássicos da Disney, a Barbie e o seu pai. Quando teve de escolher a sua área optou por artes, por não ter matemática, não fazendo ideia que teria de gramar com geometria descritiva. É recém-chegada no design e o seu sonho é ser uma designer de sucesso, trabalhando a partir do seu iate privado na marina da Costa Nova, na Ria de Aveiro.
João Gomes de Almeida

Divide o tempo entre a editora e revista on-line Nicotina, o Perguntas Proibidas na Rádio Europa e o seu pequeno bar / livraria Les Enfants Terribles, no Saldanha Residence. Já lançou dois livros, quer casar e ter filhos.
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Nuno Miguel Guedes nasceu em Lisboa em 1964. Jornalista, esteve no inicio de O Independente, de onde saiu em 1990 para a revista Kapa, de que foi co-fundador e co-afundador. Escreve para várias publicações e é colaborador pemanente da revista Visão (cultura) Letrista sempre que o deixam, guionista de televisão, bloguista, DJ ocasional, anglófilo, fanático da Académica e de livros. Nos tempos livres pratica o dry martini.
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Advogado de profissão, não se deixou enclausurar em códigos e barras. Arrumado na prateleira da esquerda pela natureza das coisas, desenvolveu na juventude – ainda as mil águas de Abril não tinham chegado – gostos exóticos, onde se incluíam chineses, albaneses e charros alimados. Navegou por vários territórios: da pintura à América Latina, da escrita à actividade política. Gosta de rir, de cozinhar, de Roberto Bolaño, de amigos, cerveja e peixe fresco. Irrita-se com a intolerância e o autoritarismo. É agnóstico. Apesar da idade, ainda não perdeu o medo do escuro, do sobrenatural e das ditaduras.