19.1.10

 

Não é novidade para ninguém o facto de eu ser monárquico. Mas sinceramente não consigo compreender bem o movimento monárquico, as reais associações, a causa real, e todas as outras organizações que gravitam à volta do ideal monárquico e de D. Duarte de Bragança.

Faço desde já a minha declaração de interesses. Sou monárquico inscrito na Real Associação de Lisboa e sou sócio de primeira hora do IDP. Reconheço um importante papel a estas estruturas e a todos aqueles que se envolvem quase diariamente na luta pela clarificação e discussão da questão do regime político português.

Nos últimos tempos, por falta de tempo e de paciência, não tenho sido muito activo na «luta» monárquica, portanto só me vou apercebendo de algumas coisas que se vão passando pela imprensa e pelas redes sociais. Mas ao que sei tem havido recentemente alguma polémica devido ao facto de um grupo de monárquicos ter lançado uma petição on-line pela realização de uma «Convenção Monárquica».

Ora vamos lá ver, eu não sei bem o que estas pessoas entendem por Convenção Monárquica, nem percebo o porquê de tanta gente ter ficado chateada com a tal petição, mas vou tentar dar a minha opinião. Correndo o risco de ser mal interpretado, pelas duas partes, como é óbvio.

O actual estado da Causa Real é de inexistência política, de inactividade generalizada e de prestação comunicacional muito modesta. Quando falo da Causa Real falo das reais associações no geral, com excepção para a Real Associação de Lisboa, liderada e muito bem pelo João Mattos e Silva.

Inexistência política porque o movimento monárquico ainda não compreendeu que as técnicas de abordagem política mudaram, inactividade porque existe um núcleo de dirigentes que se vão sucedendo sucessivamente uns aos outros e fraca prestação comunicacional porque nós monárquicos não vamos conseguir marcar a agenda política enquanto formos uma grande rede social fechada dentro de si mesma e que não se preocupa em debater  o que verdadeiramente interessa ao povo português.

Qual a solução? Transformar a Causa Real. Mudar as pessoas, trazer sangue novo, afirmar uma alternativa política de regime e mudar a nossa abordagem comunicacional. Como o fazer? A resposta repete-se.

Haverá espaço para se discutir uma nova linha dentro da Causa Real?

link do postPor João Gomes de Almeida, às 19:59  comentar

De José Tomaz de Mello Breyner a 19 de Janeiro de 2010 às 20:38
Caro João

Gostei de ler. Penso que sim que não só há espaço para sangue novo como também serão recebidos de braços abertos. O que não há é espaço para divisão. Daí que pessoalmente considero que estes novos Movimentos devem integra-se nas Reais Associações.

São paradas? Ponham-nas a mexer.

De Ricardo Gomes Silva a 20 de Janeiro de 2010 às 01:51
Caro João Gomes,

Existe uma história que gosto de lembrar às minhas filhas (pelo menos a uma) porque considero exímia."A Princesa e a ervilha" é uma história do norte da Europa que versa sobre a capacidade de uma desconhecida rapariga reagir à presença de uma minúscula ervilha entre vários colchões....há pessoas assim!
Passam uma vida inteira a reagir contra a ervilha enquanto se esquecem de cumprir a função para o qual se deitaram sobre ela.
E todos nós sabemos que quem dorme mal não é muito sociável...lol

ab

bem haja

ps: bom texto, acertas-te em cheio

De Diogo a 22 de Janeiro de 2010 às 01:37
Parabéns!

De Leonardo de Melo Gonçalves a 30 de Janeiro de 2010 às 12:21
Tens razão João. Não percebi patavina daquela coisa da Convenção. Já percebeste o que é entretanto?

Quanto ao movimento monárquico: não se mexe porque a monarquia, por si só, não é uma causa aglutinadora. Pode soar meio blasfémia a alguns, mas é verdade. Há gente de esquerda (bem à esquerda!) e gente de extrema direita no movimento. Bem podemos esperar sentados à espera que se entendam: não vai acontecer.

Enquanto a luta for "só" pela monarquia, não vamos a lado nenhum. A luta tem que ser por interesses que todos reconheçam como benéfico para o país em geral e não apenas para alguns. Ah!, e monarquia, por acaso, é o melhor sistema para manter esses ideais a funcionar, em equilíbrio. Sem que uns ou outros saiam beneficiados, como acontece hoje neste faroeste em que nos tornámos.

Os de esquerda têm de lutar pela monarquia, pela esquerda. Os de direita, têm de lutar pela monarquia à direita. A soma disso é que se luta a favor da monarquia, como um todo e pelo País. Agora não os ponham no mesmo saco, que dá mau resultado.

É ao contrário: primeiro os ideias concretas, as soluções para a vidas das pessoas. Só depois o regime...

Vamos lá ver se não sou mal interpretado...

Abraço!!

P.S. A Monarquia não é remédio, no meu defunto "Ser Tradicional (2006)": http://sertradicional.blogspot.com/2006/12/monarquia-no-remdio.html

De Leonardo de Melo Gonçalves a 30 de Janeiro de 2010 às 22:24
Sobre a Convenção: Agora que percebi o âmbito, soa a uma boa ideia. Vamos ver se se consegue por a funcionar. Oxalá.

Lê aqui um comunicado:

http://idp.somosportugueses.com/site/?p=3219

Ana Anes

Ana Anes nasceu em Lisboa a 2 de Abril de 1973, com o cordão umbilical bem preso no pescoço. Pode-se dizer que é uma sobrevivente (alegre) e, como tal, decidiu festejar a vida com um carácter irreverente, livre de constrangimentos e da opinião alheia, com uma faceta “bombista-literária” em que não se levando a sério - porque a vida já é demasiado pesada por si mesma...
Tem dois livros publicados, e já escreveu em vários órgãos de imprensa, como O Independente, Destak, DNA, Maxmen, Correio da Manhã e Playboy. Os seus blogues já deram muito que falar.
Ana Santiago

Primeiro queria ser médica de autópsias, depois teve a mania de ser jornalista e apaixonou-se pela rádio, acabou por dedicar-se ao serviço público e vive uma relação passional com Lisboa, como sede no poder local, onde editou a Agenda Cultural.
Licenciada em Comunicação, resignou-se ao facto de pouco mais saber fazer na vida do que comunicar, de manhã à noite, com toda a gente e, se mais ninguém houver por perto, com ela mesma. Acredita que é com o coração.
Cátia Simão

Foi em véspera de uma Sexta-Feira 13 de Setembro que sua mãe conheceu o rosto enrugado e percebeu que não era o David (sobre o qual) tanto conversara durante 9 meses. Daí para a frente foi muitos nomes a até se assentar como Cátia. Cresceu pensando que iria ser modista, mas não tinha muito jeito para fazer costuras e braguilhas. Virou-se para a arqueologia e seguiu outro caminho, a música, os filmes e a rádio. Seguiu-se dos seus amores de garota. Ainda hoje procura as agulhas do seu giradiscos portátil na bainha de um vestido rosa da moda. É muito feliz e gosta de sorrir.
Cláudia Köver

Tem os ensinamentos anglo-saxónicos cravados nas sardas e o amor às artes nas pontas dos dedos. O gosto pela manta das Relações Internacionais, adquirido pelos retalhos da herança familiar, consome-se nas almofadas do mestrado. Seguiu um coelho branco e calçou os saltos de jornalista EM que de momento lhe assentam os pés. Deixou pequenas pegadas nas páginas da “Pública”, da revista “Nós” do Jornal i, do Jornal Briefing e da televisão Arte. Incapaz de se manter fiel ao amor por um só par de sapatos, fez cursos em instituições europeias e teve aulas de representação em palco poeirento. Infelizmente, não teve dom para fazer dinheiro como viajante, mas soma este aos restantes vícios: desde a última tarde de 86 que não se inibe de sorrir e sonhar.
Inês Leão

Registada na bela freguesia de Mem Martins, Inês teve uma infância feliz, até ao dia que teve de abandonar o ballet por ter as pernas tortas (erro que nunca foi corrigido pelas botas ortopédicas ora azuis ora castanhas, que usou até tarde). Sempre gostou muito de desenhar, tendo como maiores influências os filmes clássicos da Disney, a Barbie e o seu pai. Quando teve de escolher a sua área optou por artes, por não ter matemática, não fazendo ideia que teria de gramar com geometria descritiva. É recém-chegada no design e o seu sonho é ser uma designer de sucesso, trabalhando a partir do seu iate privado na marina da Costa Nova, na Ria de Aveiro.
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Divide o tempo entre a editora e revista on-line Nicotina, o Perguntas Proibidas na Rádio Europa e o seu pequeno bar / livraria Les Enfants Terribles, no Saldanha Residence. Já lançou dois livros, quer casar e ter filhos.
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Nuno Miguel Guedes nasceu em Lisboa em 1964. Jornalista, esteve no inicio de O Independente, de onde saiu em 1990 para a revista Kapa, de que foi co-fundador e co-afundador. Escreve para várias publicações e é colaborador pemanente da revista Visão (cultura) Letrista sempre que o deixam, guionista de televisão, bloguista, DJ ocasional, anglófilo, fanático da Académica e de livros. Nos tempos livres pratica o dry martini.
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Nasceu no iníco da década de 60, na vila de Sintra. Filho de família aristocrata, cedo forçou-se a desiludi-la. Aos 14 anos já estava ilegalmente no MRPP, onde foi companheiro de luta académica de Durão Barroso, na Faculdade de Direito. Mal acabou o curso viu nascer Abril e ingressou no jornalismo. Tornou-se barbudo e descobriu o fado, a monarquia e os touros. Por esses quatro motivos entrou com o Nuno Miguel Guedes no PPM e dedicou-se ao jornalismo como paquete de Paulo Portas e Miguel Esteves Cardoso n'O Independente. Escreveu três ensaios sobre literatura russa medieval, traduzidos em mandarím e tchecheno. Deu aulas na Independente e consumiu marijuana com o comandante Zapata, durante uma fotoreportagem. Tudo isto é mentira - mas bem que podia ser verdade, não tivesse ele nascido na década de oitenta e ser um jovem jornalista precário. É o que dá ser novo.
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Advogado de profissão, não se deixou enclausurar em códigos e barras. Arrumado na prateleira da esquerda pela natureza das coisas, desenvolveu na juventude – ainda as mil águas de Abril não tinham chegado – gostos exóticos, onde se incluíam chineses, albaneses e charros alimados. Navegou por vários territórios: da pintura à América Latina, da escrita à actividade política. Gosta de rir, de cozinhar, de Roberto Bolaño, de amigos, cerveja e peixe fresco. Irrita-se com a intolerância e o autoritarismo. É agnóstico. Apesar da idade, ainda não perdeu o medo do escuro, do sobrenatural e das ditaduras.