28.1.09

A política pode ser encarada de duas formas, enquanto meio de enriquecimento pessoal, quase profissional, ainda que legítimo, em que uma pessoa é remunerada pela sua profissão, que se transforma em profissional da política. A segunda forma de encararmos o exercício da política é enquanto meio de prestação à sociedade, à parte da profissão que escolhemos para a nossa vida. Durante muito tempo encarei a política na primeira das vertentes, tentando realizar a primeira das equações. A pouco e pouco fui-me apercebendo que o profissional da política acarreta consigo vários riscos, que facilmente podem ser transformados em problemas.

Os escândalos que têm vindo a público nos últimos meses, envolvendo os políticos e uma pressuposta promiscuidade com o sector financeiro, vêm demonstrar que o exercício da política enquanto única profissão pode ser maléfico. O Miguel Esteves Cardoso, quando no final da década de oitenta se candidatou ao Parlamento Europeu, afirmava que os políticos portugueses eram os mais “saloios” e “parolos” da Europa. Este cenário era previsível que fosse transformado ao longo dos anos, mas acontece que agora não só temos dos políticos menos cultos como também começamos a ter dos mais corruptos. Enquanto que há dez ou cinco anos ouvíamos falar apenas da “pequena” corrupção nas autarquias locais, vemos que a mesma agora também já se estendeu ao governo e restantes órgãos de soberania.

Há duas explicações óbvias para a política atrair, na esmagadora maioria das vezes, maus génios. A primeira é a política ser uma profissão extremamente mal paga, o que potencia a corrupção e faz com que os bons profissionais não se atraiam por ela – em suma, os que vão para a política, ou que pelo menos se dedicam à mesma com maior profissionalismo, são aqueles que nunca conseguiram fazer vingar o seu mérito em outros sectores profissionais. A segunda explicação é o facto de desde há muito tempo, ou melhor desde a geração de Mário Soares, Sá Carneiro, Freitas do Amaral, Francisco Lucas Pires, entre outros, a política estar entregue, como aliás já referi, a pessoas incultas – na verdadeira e mais preocupante acepção do termo.

Soluções? Em primeiro lugar temos que aumentar os patamares de exigência do povo português, não só quanto aos políticos, mas quanto a tudo, em suma, temos que ser mais cultos, se quisermos, na vertente mais snobe do termo, temos que ter “bom gosto”. Se isto não acontecer continuaremos nos próximos anos a ser o país dos maus políticos, dos cantores pimba e da literatura light best-seller. A segunda solução é mais simples do que parece, precisamos de refundar o sistema político, temos que regenerar a democracia. Precisamos de uma nova geração e de novos políticos. Enquanto isso seremos o maravilhoso país da promiscuidade entre a política e as finanças.

link do postPor João Gomes de Almeida, às 12:08  comentar

De Manolo Heredia a 1 de Fevereiro de 2009 às 23:08
Olhe que não, joão gomes:
http://www.timesonline.co.uk/tol/news/politics/article5627618.ece
lordes e condessas também entram nestas dancas, não é só em portugal.

De amigos do concelho de aviz a 4 de Fevereiro de 2009 às 11:27
Peço desculpa por vir ocupar um espaço que é seu, com um assunto que não tem nada a ver com o teor do “post”, mas garanto que é por uma boa causa: a DEFESA DA CULTURA POPULAR. Permita-me que aqui publicite os VII JOGOS FLORAIS DE AVIS, cujo regulamento se encontra disponível em www.aca.com.sapo.pt e cujas dúvidas podem ser esclarecidas pelo 969015106.
Grato pela amabilidade, queira receber saudações culturais do
Fernando Máximo/Avis


Ana Anes

Ana Anes nasceu em Lisboa a 2 de Abril de 1973, com o cordão umbilical bem preso no pescoço. Pode-se dizer que é uma sobrevivente (alegre) e, como tal, decidiu festejar a vida com um carácter irreverente, livre de constrangimentos e da opinião alheia, com uma faceta “bombista-literária” em que não se levando a sério - porque a vida já é demasiado pesada por si mesma...
Tem dois livros publicados, e já escreveu em vários órgãos de imprensa, como O Independente, Destak, DNA, Maxmen, Correio da Manhã e Playboy. Os seus blogues já deram muito que falar.
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Primeiro queria ser médica de autópsias, depois teve a mania de ser jornalista e apaixonou-se pela rádio, acabou por dedicar-se ao serviço público e vive uma relação passional com Lisboa, como sede no poder local, onde editou a Agenda Cultural.
Licenciada em Comunicação, resignou-se ao facto de pouco mais saber fazer na vida do que comunicar, de manhã à noite, com toda a gente e, se mais ninguém houver por perto, com ela mesma. Acredita que é com o coração.
Cátia Simão

Foi em véspera de uma Sexta-Feira 13 de Setembro que sua mãe conheceu o rosto enrugado e percebeu que não era o David (sobre o qual) tanto conversara durante 9 meses. Daí para a frente foi muitos nomes a até se assentar como Cátia. Cresceu pensando que iria ser modista, mas não tinha muito jeito para fazer costuras e braguilhas. Virou-se para a arqueologia e seguiu outro caminho, a música, os filmes e a rádio. Seguiu-se dos seus amores de garota. Ainda hoje procura as agulhas do seu giradiscos portátil na bainha de um vestido rosa da moda. É muito feliz e gosta de sorrir.
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Tem os ensinamentos anglo-saxónicos cravados nas sardas e o amor às artes nas pontas dos dedos. O gosto pela manta das Relações Internacionais, adquirido pelos retalhos da herança familiar, consome-se nas almofadas do mestrado. Seguiu um coelho branco e calçou os saltos de jornalista EM que de momento lhe assentam os pés. Deixou pequenas pegadas nas páginas da “Pública”, da revista “Nós” do Jornal i, do Jornal Briefing e da televisão Arte. Incapaz de se manter fiel ao amor por um só par de sapatos, fez cursos em instituições europeias e teve aulas de representação em palco poeirento. Infelizmente, não teve dom para fazer dinheiro como viajante, mas soma este aos restantes vícios: desde a última tarde de 86 que não se inibe de sorrir e sonhar.
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Divide o tempo entre a editora e revista on-line Nicotina, o Perguntas Proibidas na Rádio Europa e o seu pequeno bar / livraria Les Enfants Terribles, no Saldanha Residence. Já lançou dois livros, quer casar e ter filhos.
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Nuno Miguel Guedes

Nuno Miguel Guedes nasceu em Lisboa em 1964. Jornalista, esteve no inicio de O Independente, de onde saiu em 1990 para a revista Kapa, de que foi co-fundador e co-afundador. Escreve para várias publicações e é colaborador pemanente da revista Visão (cultura) Letrista sempre que o deixam, guionista de televisão, bloguista, DJ ocasional, anglófilo, fanático da Académica e de livros. Nos tempos livres pratica o dry martini.
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Nasceu no iníco da década de 60, na vila de Sintra. Filho de família aristocrata, cedo forçou-se a desiludi-la. Aos 14 anos já estava ilegalmente no MRPP, onde foi companheiro de luta académica de Durão Barroso, na Faculdade de Direito. Mal acabou o curso viu nascer Abril e ingressou no jornalismo. Tornou-se barbudo e descobriu o fado, a monarquia e os touros. Por esses quatro motivos entrou com o Nuno Miguel Guedes no PPM e dedicou-se ao jornalismo como paquete de Paulo Portas e Miguel Esteves Cardoso n'O Independente. Escreveu três ensaios sobre literatura russa medieval, traduzidos em mandarím e tchecheno. Deu aulas na Independente e consumiu marijuana com o comandante Zapata, durante uma fotoreportagem. Tudo isto é mentira - mas bem que podia ser verdade, não tivesse ele nascido na década de oitenta e ser um jovem jornalista precário. É o que dá ser novo.
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Advogado de profissão, não se deixou enclausurar em códigos e barras. Arrumado na prateleira da esquerda pela natureza das coisas, desenvolveu na juventude – ainda as mil águas de Abril não tinham chegado – gostos exóticos, onde se incluíam chineses, albaneses e charros alimados. Navegou por vários territórios: da pintura à América Latina, da escrita à actividade política. Gosta de rir, de cozinhar, de Roberto Bolaño, de amigos, cerveja e peixe fresco. Irrita-se com a intolerância e o autoritarismo. É agnóstico. Apesar da idade, ainda não perdeu o medo do escuro, do sobrenatural e das ditaduras.