8.1.10

 

Este texto é para ser levado a sério, como tal até vou utilizar maiúsculas. Anda por aí muita boa gente profundamente irritada com o gigante passo cultural e civilizacional que hoje foi dado pelos deputados portugueses e pela nossa sociedade civil. Eu estou orgulhoso. Orgulhoso por viver num país mais livre, onde o estado já não interfere na vida amorosa dos seus habitantes e onde as discriminações aos homossexuais já são menores do que eram ontem. Espero sinceramente que daqui a poucos meses já seja possível também a adopção.

A ignorância da classe política deixa-me muito irritado neste tema. Mas não falo única e exclusivamente da direita, mas também da esquerda. O grosso da classe política vive na obscuridade e no cabotinismo militante.

A esquerda, na minha opinião, esteve bem ao defender que o estado não deve interferir na vida privada dos seus habitantes. Concordo plenamente. Então e porque é que o estado deve definir se as pessoas podem ou não fumar nos meus estabelecimentos comerciais? Então e porque é que o estado deve definir que eu tenho que obrigatoriamente contribuir para um sistema de pensões público? Então e porque é que o estado tem que definir as relações laborais que eu quero ter com o meu empregador?

A direita esteve mal, foi mesquinha, utilizou argumentos parvos e saiu mal na fotografia. Como pode o conservadorismo ainda alimentar tantas cabecinhas poeirentas? Como podemos nós permitir numa sociedade livre de mercado aberto, que o estado regule a vida sexual e afectiva dos seus habitantes?

Por fim. Porque é que a nossa classe política, à esquerda e à direita, continua a querer mais estado?

link do postPor João Gomes de Almeida, às 18:05  comentar

De Rui Monteiro a 8 de Janeiro de 2010 às 23:08
Sem dúvida que hoje foi um grande dia mas em relação à adopção acho que o PS teve a melhor decisão. Eu no caso da adopção não penso nos casais mas sim nas crianças, se já nos casais heterosexuais as adopções não correm todas bem porque por vezes a criança não se ajusta eu imagino num casal homosexual a longo prazo. O problema é precisamente a sociedade que temos onde só 29% das pessoas são a favor do casamento homosexual, se legalizassem a adopção existiriam 70% de pessoas com preconceitos que não iriam em nada facilitar a vida dessas crianças ... Todos nós mesmo em criança ficávamos revoltados se dissessem mal dos nossos pais, eu costumava ir ao focinho. Claro que as razões não eram sexuais, mas eu imagino o Bulling por causa desses preconceitos. A defesa dos interesses da criança tem de ser preservada e acima de tudo reforçada.

Abraço
Rui

De LR a 10 de Janeiro de 2010 às 18:59
acontece que já há casais homossexuais, perfeitamente estáveis, com filhos... e estes já correm esses riscos de ostracismo social. legitimar a adopção e encarar essas crianças e jovens como filhos iguais aos outros filhos é humano, justo e indispensável.

Ana Anes

Ana Anes nasceu em Lisboa a 2 de Abril de 1973, com o cordão umbilical bem preso no pescoço. Pode-se dizer que é uma sobrevivente (alegre) e, como tal, decidiu festejar a vida com um carácter irreverente, livre de constrangimentos e da opinião alheia, com uma faceta “bombista-literária” em que não se levando a sério - porque a vida já é demasiado pesada por si mesma...
Tem dois livros publicados, e já escreveu em vários órgãos de imprensa, como O Independente, Destak, DNA, Maxmen, Correio da Manhã e Playboy. Os seus blogues já deram muito que falar.
Ana Santiago

Primeiro queria ser médica de autópsias, depois teve a mania de ser jornalista e apaixonou-se pela rádio, acabou por dedicar-se ao serviço público e vive uma relação passional com Lisboa, como sede no poder local, onde editou a Agenda Cultural.
Licenciada em Comunicação, resignou-se ao facto de pouco mais saber fazer na vida do que comunicar, de manhã à noite, com toda a gente e, se mais ninguém houver por perto, com ela mesma. Acredita que é com o coração.
Cátia Simão

Foi em véspera de uma Sexta-Feira 13 de Setembro que sua mãe conheceu o rosto enrugado e percebeu que não era o David (sobre o qual) tanto conversara durante 9 meses. Daí para a frente foi muitos nomes a até se assentar como Cátia. Cresceu pensando que iria ser modista, mas não tinha muito jeito para fazer costuras e braguilhas. Virou-se para a arqueologia e seguiu outro caminho, a música, os filmes e a rádio. Seguiu-se dos seus amores de garota. Ainda hoje procura as agulhas do seu giradiscos portátil na bainha de um vestido rosa da moda. É muito feliz e gosta de sorrir.
Cláudia Köver

Tem os ensinamentos anglo-saxónicos cravados nas sardas e o amor às artes nas pontas dos dedos. O gosto pela manta das Relações Internacionais, adquirido pelos retalhos da herança familiar, consome-se nas almofadas do mestrado. Seguiu um coelho branco e calçou os saltos de jornalista EM que de momento lhe assentam os pés. Deixou pequenas pegadas nas páginas da “Pública”, da revista “Nós” do Jornal i, do Jornal Briefing e da televisão Arte. Incapaz de se manter fiel ao amor por um só par de sapatos, fez cursos em instituições europeias e teve aulas de representação em palco poeirento. Infelizmente, não teve dom para fazer dinheiro como viajante, mas soma este aos restantes vícios: desde a última tarde de 86 que não se inibe de sorrir e sonhar.
Inês Leão

Registada na bela freguesia de Mem Martins, Inês teve uma infância feliz, até ao dia que teve de abandonar o ballet por ter as pernas tortas (erro que nunca foi corrigido pelas botas ortopédicas ora azuis ora castanhas, que usou até tarde). Sempre gostou muito de desenhar, tendo como maiores influências os filmes clássicos da Disney, a Barbie e o seu pai. Quando teve de escolher a sua área optou por artes, por não ter matemática, não fazendo ideia que teria de gramar com geometria descritiva. É recém-chegada no design e o seu sonho é ser uma designer de sucesso, trabalhando a partir do seu iate privado na marina da Costa Nova, na Ria de Aveiro.
João Gomes de Almeida

Divide o tempo entre a editora e revista on-line Nicotina, o Perguntas Proibidas na Rádio Europa e o seu pequeno bar / livraria Les Enfants Terribles, no Saldanha Residence. Já lançou dois livros, quer casar e ter filhos.
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Nuno Miguel Guedes

Nuno Miguel Guedes nasceu em Lisboa em 1964. Jornalista, esteve no inicio de O Independente, de onde saiu em 1990 para a revista Kapa, de que foi co-fundador e co-afundador. Escreve para várias publicações e é colaborador pemanente da revista Visão (cultura) Letrista sempre que o deixam, guionista de televisão, bloguista, DJ ocasional, anglófilo, fanático da Académica e de livros. Nos tempos livres pratica o dry martini.
Pedro Rainho

Nasceu no iníco da década de 60, na vila de Sintra. Filho de família aristocrata, cedo forçou-se a desiludi-la. Aos 14 anos já estava ilegalmente no MRPP, onde foi companheiro de luta académica de Durão Barroso, na Faculdade de Direito. Mal acabou o curso viu nascer Abril e ingressou no jornalismo. Tornou-se barbudo e descobriu o fado, a monarquia e os touros. Por esses quatro motivos entrou com o Nuno Miguel Guedes no PPM e dedicou-se ao jornalismo como paquete de Paulo Portas e Miguel Esteves Cardoso n'O Independente. Escreveu três ensaios sobre literatura russa medieval, traduzidos em mandarím e tchecheno. Deu aulas na Independente e consumiu marijuana com o comandante Zapata, durante uma fotoreportagem. Tudo isto é mentira - mas bem que podia ser verdade, não tivesse ele nascido na década de oitenta e ser um jovem jornalista precário. É o que dá ser novo.
Tomás Vasques

Advogado de profissão, não se deixou enclausurar em códigos e barras. Arrumado na prateleira da esquerda pela natureza das coisas, desenvolveu na juventude – ainda as mil águas de Abril não tinham chegado – gostos exóticos, onde se incluíam chineses, albaneses e charros alimados. Navegou por vários territórios: da pintura à América Latina, da escrita à actividade política. Gosta de rir, de cozinhar, de Roberto Bolaño, de amigos, cerveja e peixe fresco. Irrita-se com a intolerância e o autoritarismo. É agnóstico. Apesar da idade, ainda não perdeu o medo do escuro, do sobrenatural e das ditaduras.