5.1.09

 

André,

 

Já o disse anteriormente, mas parece que não leste os meus textos, ou se os lestes, apenas o deves ter feito superficialmente. Mas enfim, vou repetir. A democracia não se apregoa, aplica-se. Ora se achas que o regime não deve ser, em caso algum, referendado e deve ser um limite material da constituição, tenho que te dizer que isso não é democrático. Democracia é dar a voz ao povo, desta forma estás a impedir que o povo decida em que forma de regime quer ser governado, mesmo que um grupo de cidadãos reuna assinaturas e queira levar esse tema a referendo.

 

Mais perigoso do que isso, estás a defender que  "há momentos na história em que não é preciso plebiscitar nada", o que é mais ou menos a mesma coisa do que aquela senhora que disse que precisavamos era de "seis meses sem democracia". Portanto, se os monárquicos defendem um ideal, então que matem o presidente e cerquem os quarteis. É isso? Mas de qualquer forma acho que o Professor Oliveira Salazar também defendia que "há momentos na história em que não é preciso plebiscitar nada", não estás sozinho.

 

Ainda sobre essa frase, perigosa para a democracia repito, gostava que tivesses em conta que, no início do século, não existia uma "esmagadora, irresistível e unívoca força" em instaurar a república e há vários dados históricos que comprovam isso mesmo. Portanto este argumento, para além de perigoso, volto a repetir perigoso, é falacioso e históricamente errado.

 

Mas já que falas deste assunto e puxas o pior dos argumentos, que é o Partido Popular Monárquico, gostava apenas que fizesse uma análise às votações do Partido Republicano antes da revolução de 5 de Outubro. Vais constatar que esse argumento facilmente se vira contra ti. Mas força, lê e investiga.

 

Por fim, e ainda sobre o PPM - é curioso que hoje passei a tarde a falar disso com o nosso colega de blog Paulo Estêvão, que como sabes é vice-presidente do partido. O PPM é um partido com um ideário próprio, de centro-direita, que não representa nem aspira a representar, todos os monárquicos portugueses. Trata-se pois de um movimento político que se apresenta a eleições com um programa de actuação, que vai muito para além da questão de regime. Desta forma, não reune todos os monárquicos, muito menos os seus votos.

 

Faz apenas um raciocínio lógico: o Câmara de Comuns tem, pelas minhas contas, oito monárquicos a colaborarem, do qual só um é do PPM. De resto temos um deputado do MPT, dois militantes do PSD, um militante do PS e quatro independentes. Antes disso, o CC, ainda tu cá não estavas, contava com a colaboração do Rodrigo Moita de Deus que é do PSD, do Paulo Gusmão da Nova Democracia, do Diogo Beldford Henriques do CDS e do Pedro Mota Soares também do CDS - todos eles monárquicos, nenhum deles do PPM. Ainda achas que esse argumento é válido? Gostava de ter a tua resposta.

 

Nas palavras de Pessoa, "a república é a traição da pátria".

 

Também no Câmara de Comuns

link do postPor João Gomes de Almeida, às 02:09  comentar

De Paulo Ferreira a 5 de Janeiro de 2009 às 03:20
Devolve lá o link ao CC.....

Ana Anes

Ana Anes nasceu em Lisboa a 2 de Abril de 1973, com o cordão umbilical bem preso no pescoço. Pode-se dizer que é uma sobrevivente (alegre) e, como tal, decidiu festejar a vida com um carácter irreverente, livre de constrangimentos e da opinião alheia, com uma faceta “bombista-literária” em que não se levando a sério - porque a vida já é demasiado pesada por si mesma...
Tem dois livros publicados, e já escreveu em vários órgãos de imprensa, como O Independente, Destak, DNA, Maxmen, Correio da Manhã e Playboy. Os seus blogues já deram muito que falar.
Ana Santiago

Primeiro queria ser médica de autópsias, depois teve a mania de ser jornalista e apaixonou-se pela rádio, acabou por dedicar-se ao serviço público e vive uma relação passional com Lisboa, como sede no poder local, onde editou a Agenda Cultural.
Licenciada em Comunicação, resignou-se ao facto de pouco mais saber fazer na vida do que comunicar, de manhã à noite, com toda a gente e, se mais ninguém houver por perto, com ela mesma. Acredita que é com o coração.
Cátia Simão

Foi em véspera de uma Sexta-Feira 13 de Setembro que sua mãe conheceu o rosto enrugado e percebeu que não era o David (sobre o qual) tanto conversara durante 9 meses. Daí para a frente foi muitos nomes a até se assentar como Cátia. Cresceu pensando que iria ser modista, mas não tinha muito jeito para fazer costuras e braguilhas. Virou-se para a arqueologia e seguiu outro caminho, a música, os filmes e a rádio. Seguiu-se dos seus amores de garota. Ainda hoje procura as agulhas do seu giradiscos portátil na bainha de um vestido rosa da moda. É muito feliz e gosta de sorrir.
Cláudia Köver

Tem os ensinamentos anglo-saxónicos cravados nas sardas e o amor às artes nas pontas dos dedos. O gosto pela manta das Relações Internacionais, adquirido pelos retalhos da herança familiar, consome-se nas almofadas do mestrado. Seguiu um coelho branco e calçou os saltos de jornalista EM que de momento lhe assentam os pés. Deixou pequenas pegadas nas páginas da “Pública”, da revista “Nós” do Jornal i, do Jornal Briefing e da televisão Arte. Incapaz de se manter fiel ao amor por um só par de sapatos, fez cursos em instituições europeias e teve aulas de representação em palco poeirento. Infelizmente, não teve dom para fazer dinheiro como viajante, mas soma este aos restantes vícios: desde a última tarde de 86 que não se inibe de sorrir e sonhar.
Inês Leão

Registada na bela freguesia de Mem Martins, Inês teve uma infância feliz, até ao dia que teve de abandonar o ballet por ter as pernas tortas (erro que nunca foi corrigido pelas botas ortopédicas ora azuis ora castanhas, que usou até tarde). Sempre gostou muito de desenhar, tendo como maiores influências os filmes clássicos da Disney, a Barbie e o seu pai. Quando teve de escolher a sua área optou por artes, por não ter matemática, não fazendo ideia que teria de gramar com geometria descritiva. É recém-chegada no design e o seu sonho é ser uma designer de sucesso, trabalhando a partir do seu iate privado na marina da Costa Nova, na Ria de Aveiro.
João Gomes de Almeida

Divide o tempo entre a editora e revista on-line Nicotina, o Perguntas Proibidas na Rádio Europa e o seu pequeno bar / livraria Les Enfants Terribles, no Saldanha Residence. Já lançou dois livros, quer casar e ter filhos.
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Nuno Miguel Guedes

Nuno Miguel Guedes nasceu em Lisboa em 1964. Jornalista, esteve no inicio de O Independente, de onde saiu em 1990 para a revista Kapa, de que foi co-fundador e co-afundador. Escreve para várias publicações e é colaborador pemanente da revista Visão (cultura) Letrista sempre que o deixam, guionista de televisão, bloguista, DJ ocasional, anglófilo, fanático da Académica e de livros. Nos tempos livres pratica o dry martini.
Pedro Rainho

Nasceu no iníco da década de 60, na vila de Sintra. Filho de família aristocrata, cedo forçou-se a desiludi-la. Aos 14 anos já estava ilegalmente no MRPP, onde foi companheiro de luta académica de Durão Barroso, na Faculdade de Direito. Mal acabou o curso viu nascer Abril e ingressou no jornalismo. Tornou-se barbudo e descobriu o fado, a monarquia e os touros. Por esses quatro motivos entrou com o Nuno Miguel Guedes no PPM e dedicou-se ao jornalismo como paquete de Paulo Portas e Miguel Esteves Cardoso n'O Independente. Escreveu três ensaios sobre literatura russa medieval, traduzidos em mandarím e tchecheno. Deu aulas na Independente e consumiu marijuana com o comandante Zapata, durante uma fotoreportagem. Tudo isto é mentira - mas bem que podia ser verdade, não tivesse ele nascido na década de oitenta e ser um jovem jornalista precário. É o que dá ser novo.
Tomás Vasques

Advogado de profissão, não se deixou enclausurar em códigos e barras. Arrumado na prateleira da esquerda pela natureza das coisas, desenvolveu na juventude – ainda as mil águas de Abril não tinham chegado – gostos exóticos, onde se incluíam chineses, albaneses e charros alimados. Navegou por vários territórios: da pintura à América Latina, da escrita à actividade política. Gosta de rir, de cozinhar, de Roberto Bolaño, de amigos, cerveja e peixe fresco. Irrita-se com a intolerância e o autoritarismo. É agnóstico. Apesar da idade, ainda não perdeu o medo do escuro, do sobrenatural e das ditaduras.